Reflexões mudas (em duas linhas)


Se ouvires estes conselhos, verás, surpreso,
como é fácil libertar o que, afinal, não está preso.

Em tudo isto não se guarda nenhum mistério.
Se duvidas, mais cedo vais parar ao cemitério!

 

 

Envolve-te com os desafios aqui presentes
e acorda, para deixares de rilhar os dentes!

 

Conversa com essa dor que te está a torturar
e logo verás o nó que tens de desatar.

É ‘sendo’, e não ‘tendo’, que afagas a aspereza.
Quem a si se ama nem a própria dor despreza.

Que ganhas tu por amar, brincar e sorrir?
Ganhas aquilo de que tens andado a fugir.

Abdica das memórias do que de mau passaste,
de tudo o que, quando assustado, rejeitaste.

Tem o que te digo como um filão que não exploras.
Se mudares de rumo, perceberás por que choras.

Aprende a descolar os restos da velha pele,
usando o Amor que qualquer medo repele.

Quando souberes Quem és, poderás reconhecer
que é acima do que vês que vive o que te falta ver.

Beneficia da derradeira e profunda mudança:
aceita o que te assusta e vê como a Vida é mansa.

Faz por sentir o que sente quem irradia Perdão.
Deixa de ser como és, tomando a Grande Decisão.

Tens de passar a viver a tua vida d’outra maneira.
A Sombra pode parecer macia mas é matreira. 

Corta a raiz do ódio e sobre o ego faz descer o pano.
Passa a ser a Luz que és, em vez de seres desumano.

Fugir ao que, há muito, foi abençoado
é reprimir o que tem de ser revelado.

O medo reprime a árvore e, também, todo o arvoredo;
serve-se da vida, não como é agora, mas como era antes.

Larga o controlo do que não pode ser controlado
e repara em quem, então, se sentará ao teu lado,

Respeita a Verdade e tem cuidado com o saudosismo.
Liberta o que dizes ser teu, mas de ti tem ser apartado.

Quando ignoras Quem és, não reforças a tua culpa;
ignoras o Sagrado, o que não tem qualquer desculpa!

Fazendo como aqueles que se mostram fraternais,
estarás bem longe dos dementes radicais!

Podes viver na ilusão, apagar a luz ou até fugir.
Só não guardes o que terás de cuspir!

Perde a mania de que Deus te dará uma prenda.
Haja paciência! Não há meio de teres emenda!

Podes ascender à Fonte da Verdade que tudo cura,
ou cair no Poço da Descrença que nada te assegura.

Aprende a refrescar o mundo ultrapassado,
deixando de lamentar que estás cansado.

Cala-te e ouve o que, vindo de dentro, te conduz.
Dessa forma, calado, falarás como fala a Luz!

Dá ao Fogo os medos reprimidos. Se os deres a rir
passarás a ser como Quem-Não-Pode-Ferir.

A paz e alegria são o corpo e o sangue da Fortuna.
A lepra de que sofres com o Amor não se coaduna!

Experimenta abrir as grades da tua prisão
perdoando àqueles a quem pedes e nada te dão.

Tu saberás por que preferes insistir na falsidade.
Naquilo que não vês é que se guarda a Verdade.

Se insistires em usar o método dos moucos,
com dor verás que vives na Casa dos Loucos!

O medo mascara-se quando mente: se, ronronando,
te cicia que estás a progredir, estás somente recuando!

Quando te irritas, sempre cais na repressão,
pois receias perder o que controlas com devoção.

Olha bem para a Sombra dentro de ti soterrada
e vê como, ao ver a Luz, a fera em ti fica irritada.

Acorda o Ser Sem Peso, que a Evolução não espera.
Quem despreza o Superior, o inferior não tolera.

Deixa de escolher mal, escolhendo a porcaria.
Quando viveres à solta, chegou o teu dia.

Enquanto não disseres adeus à Ilusão
rabias atrás do rabo como na dança circular do cão!

Insistindo nas tuas manias, teimosamente,
Jamais ficarás limpo internamente.

A compaixão é o que resulta da raiva transcendida.
Aceita a verdade que a tua alma já deu por recebida.

Para passarás a ver de outra maneira,
tens de aprender a fugir dessa ratoeira.

Tu só perdoas a quem realmente aceitas.
Se não aceitas isto, a Verdade rejeitas!

O medo é irmão da Recusa e a origem do Arrepio.
Por isso é que o teu mundo é assim tão frio.

É porque insistes em querer ser o que não és.
que vives nessa cruz onde cravaste os pés.

O ser humano sempre lutou para ter harmonia,
mas cheio do pus que julgou que o enriquecia.