Peixes

18/19 de Fevereiro — 20/21 de Março

As previsões da incontornável astróloga Rafaela Baldaia,
para este signo do elemento Água, regido por Neptuno:


Com este signo no Meio do Céu do meu mapa de previsões, prevejo que vocês, minhas amigas, vão sentir impulsos para se interessarem, ainda mais, pela vida espiritual. Não estranhem se vos der na gana de reler os livros do Kardec, rolar o terço entre os dedos, impressionarem-se com o som dos sinos da catedral, ficarem com a mucosa nasal irritada pelo fumo dos incensos, reler as notas que escreveram nos book’s da Blavatsky, arejarem os bentinhos há muito guardados na velha caixa de sapatos, voltarem a pendurar os crucifixos ou os retratos dos Mestres Ascendidos, fazerem decretos verbais para se livrarem dos efeitos do glúten, conversarem sobre as conferências do Osho, reconhecerem que Krishnamurti, além de mestre, era bonitinho… Enfim, tudo o que diz respeito à vida interior, através do reforço dos laços com Deuses, bodhisattvas, Santos, Jeová, Et’s, Deus, Alá, Odin, e outras divindades de quem eu posso nunca ter ouvido falar, mas que vos são familiares.

Julgam que estou a exagerar? Não, filhas, não estou. Embora seja verdade que todos os caminhos vão dar a Roma, eu sei que cada uma de vocês cuida do estojo onde guarda tudo o que possa ajudar a correr mais depressa, ao longo do Caminho, para ver quem chega primeiro ao Portal, e, depois de o cruzar, cair nos braços do Mais-Que-Tudo-Espiritual, o qual pode ser, perfeitamente, Sananda. O problema é que a fossanguice de chegar à meta e inspirar o perfume a jasmim daquela entidade (um perfume que é, literalmente, uma coisa do outro mundo), leva-vos a esquecerem-se de que não é bonito pregarem rasteiras aos que vão mais depressa, roubar-lhes energia e fazerem-lhes outras sacanagens, indignas de quem anda a apetecer-lhe regressar à mónada. Mas fazem-nas porque querem sair daqui, uma vez que vai sendo cada vez mais difícil aguentar a idiotice que contamina a Terra. E, contra esse vírus, a máscara não serve para nada.

Não prevejo melhorias tão cedo. Sabem porquê? Porque, mesmo encostadinho ao Meio do Céu em Peixes do meu mapa de previsões, está quem?… Quem?… Está Neptuno e a Lua, meninas! Portanto, sonhos, visões, ilusões e outras maluqueiras não vos hão de faltar. Um fartar vilanagem, um regabofe, em tudo quanto é sítio que vocês achem que é um templo. Nem que seja debaixo da figueira, como foi o caso daquele indiano de quem agora não me lembro o nome. Se acham que estas previsões não chegam (a chata da Dona Brites vai achar que não prestam), posso acrescentar que Neptuno está em trânsito pelo seu reino – que é Peixes, como devem saber. Quer isto dizer que uma percentagem considerável das fofas piscianas, devem andar desatinadinhas, porque não percebem o que raio se está passar. Só sabem que não se sentem bem e mais perdidonas do que é costume. Lindas: agarrem-se a uma árvore para não levantarem voo. Se eu pudesse estar com vocês, agarravam-se a mim. Mas assim… Jinhos!

 


Neste vídeo podes apreciar a estética do “Cartaz Peixes” e ouvir o texto.
Encomenda-o aqui (apenas 5€), para ti ou para ofereceres.
Uma miniatura do cartaz, para ficares com uma ideia.

Como soa este Cântico a Aquário?

 

Se preferes levar a coisa um pouco mais longe, dispõe das minhas
consultas de astrologia humanista

Neptuno (cujo símbolo enquadra este parágrafo) é, desde 1846, o regente comum deste 12º signo, do elemento Água, que encerra o Inverno. Até essa data o regente foi Júpiter, também regente de Sagitário). Neptuno (Poseidon na mitologia grega), símbolo as massas e dos meandros intricados na mente, foi descoberto no sistema solar, precisamente, numa altura em que a psicanálise despontava e as massas trabalhadoras tentavam organizar-se em sindicatos. Considerado a oitava superior de Vénus, regente de Touro e Balança, Neptuno representa a dissolução das formas, o sonho, os ideais e o misticismo, o psiquismo, a idealização e a inspiração, os valores espirituais mais elevados e o impulso de regressar à fonte original de vida. Negativamente entendido, induz a fantasia e os paraísos artificiais, a confusão e a ilusão que leva a construir castelos no ar.

Conhece a função esotérica de Peixes na
página 13 deste ficheiro


O NOME DO JOGO É TOTALIDADE
Doze degraus de reflexão sobre a interação entre o que está em cima e o que está em baixo, e do que daí pode advir em termos de comportamento e evolução. Neste trabalho, escrito em 1989 e revisto em 2019, o Ego faz uma viagem pelas doze Casas dos doze signos. Portanto 144 passos. Será Ego 1 quando estiver no 1º Degrau/Carneiro; Ego 2 quando passar pelo 2º De­grau/Touro… e acabará em Ego 12 ao atingir o 12º Degrau/Peixes.

12º DEGRAU
Feito pela Água de Peixes e idealizado por Neptuno

Casa I / Passo 133: Se Neptuno do mar espreitava e se, por trás dele, o Sol rompia quando o Ego 12 na Terra reentrava,
amará Deus ou fugirá para a fantasia. Perdido nos meandros da meditação, no doce devaneio ou na rosada ilusão, sentirá sempre uma certa nostalgia. E terá saudades de onde estava antes desse dia!

Casa II / Passo 134: O Ego 12 acede, pelo curral do touro, à casa-forte do dinheiro. Se tiver a Inspiração como tesouro, das Belas Artes será um mensageiro. Mas se a Fuga tiver como pelouro, do mundo não sentirá nem o cheiro!

Casa III / Passo 135: Uma gota de metal partindo-se em mil partes provoca, no Ego 12, uma enorme confusão. Porém, sendo ele próprio várias artes, poderá mostrar-se um forte orador, e um empenhado leitor que raramente poisa no chão. Por andar assim, distraído, poderá até ficar ferido.

Casa IV / Passo 136: Apetece-lhe regressar ao Fofo Ninho e não consegue safar-se dessa ânsia. Se encontra vedado este caminho, sobrevive com saudades da infância. Do Ovo ao Vinho vai a menor distância!

Casa V / Passo 137: A ilusão através dos amores. A traição pela via dos jogadores. A ingenuidade dos pais amadores!

Casa VI / Passo 138: Mercúrio quer dividido e rotulado. Neptuno, porém, quer a clara junto à gema, quer que tudo seja integrado para que todos partilhem o seu sistema. Será Hermes descabelado ou o Oceano promovido? Será o Mensageiro pelo Mar ensopado, ou será o Mar em mercúrio convertido? Quem resolve o problema?

Casa VII / Passo 139: Quando o Ego 12 inventa o Amor Puro ilude-se com a visão da divina parceria. Mas quando é a desilusão a companhia reza a Deus choramingando no escuro. Para quem vive no sonho, o mundo parece um muro!

Casa VIII / Passo 140: É-lhe tão fácil ceder ao Sonho e aderir ao Sacrifício, como aceitar que existe água-de-artifício!

Casa IX / Passo 141: Investe na Salvação usando a sua crença ou toma os ensinamentos de um guru. Como não é por si que pensa, não pensa; mas acredita que no Céu tudo está a nu. Seja a fé do Ego 12 muito ou pouco densa, nunca, jamais, tratará Deus por tu!Casa X / Passo 142: Um barco, sem saber para onde deve ir, vê-se à deriva, oscilando insatisfeito; perdeu a rota para o porto do Porvir onde o seu Fado sempre esteve feito. Este desamparo chega para cobrir todo o fundo que o Mar toma por leito.

Casa XI / Passo 143: A todos os seus irmãos e irmandades o Ego 12 não deseja tempestades; ao invés, pretende ser um curador para dos artelhos deles tirar a dor. É pouco? Talvez seja. Mas é Amor!

Casa XII / Passo 144: Cheguei ao fim desta viagem, desta, por vezes, divertida reflexão. Porque bati num ponto de clivagem não cheguei a qualquer conclusão! Se não vislumbro, ainda, a outra margem, pelo menos, usei a minha inspiração! Tudo isto é resultado duma viragem? É talvez sim, é talvez não! A Lua abriu um desejo, uma passagem e chamei Urano que deu um safanão. E porque foi Mercúrio quem soprou a aragem, nos meus olhos se abriu uma paisagem que descrevi com esta (e a outra) mão! Fiz uma grosa destes Degraus, por vezes agarrado ao corrimão. Só espero que as copas tenham batido os paus, pois aos ouros guardo-os, sem espadas, no coração. Estes textos não são bons, nem são maus, são apenas o que são.


Os meus livros de temática astrológica
Na “Crónica da Incrível História do Patinho”,
a heroína do capítulo 12 é a Patinha Iluminada


Fernando Pessoa – que sabia muito de astrologia – levantou os mapas de nascimento dos seus principais heterónimos e até criou um – Raphael Baldaya – para a sua faceta astrológica. Nos doze poemas do capítulo central do seu livro
Mensagem, intitulado “Mar Português”, codificou os doze signos do zodíaco, embora fale das grandes figuras dos Descobrimentos. E fê-lo de uma forma tão genial que nem os próprios astrólogos, ao longo do tempo, se aperceberam. O 12º poema deste conjunto é dedicado a este signo, muito dado ao misticismo assim como aos vários tipos de religiões e espiritualidades. Não surpreende que Fernando Pessoa lhe dado este título:

PRECE

Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil
,

O mar universal e a saudade.

Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.

Dá o sopro, a aragem – ou desgraça ou ânsia –
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistemos a Distância –
Do mar ou outra, mas que seja nossa!

Para ficares a saber como é que Fernando Pessoa “escondeu” o signo Peixes neste poema (entre outras coisas), baixa o PDF do livro: A Astrologia em ‘Mar Português’.
Depois, consulta a página 60.


O compositor virginiano Gustav Holst (Inglaterra, 21.09.1874 — 25.05.1934 ) compôs uma suíte sinfónica chamada 
Os Planetas, na qual descreve a sua simbologia astrológica. Repara como, em Neptuno – O Místico, a música é etérea e o coro nos remete para as profundezas do Espaço.


Para aprofundar a compreensão do arquétipo Peixes

Eu sou o Inspirado Missionário. Sou quem perturba e assusta devido à neblina com que esbato os contornos, à falta de clareza e à sensação de encantamento que promovo. Comigo andam a decepção e a ingenuidade, o autossacrifício, o idealismo, a distorção da realidade e a fantasia. O meu reino é o das profundezas do Mar onde tudo é ambíguo e sem barreiras, onde as formas se misturam e confundem. Perante a fealdade do quotidiano, quem quer que se identifique comigo é tentado a refugiar-se no mundo das visões. Eu sou o anseio religioso de retornar à Fonte Primordial da Vida. No entanto, infiltro a profunda sabedoria interior de que a alma humana, o divino e todas as formas de vida estão interligadas. Quem me venera, anseia por paz e amor, e procura a salvação por meios divinos, destruindo a ênfase consciente no lado material da vida, de modo a que essa sensação possa ser vivenciada. Ao longo destes doze passos, dos quais eu sou o último, é suposto uma criatura nascer e completar-se. Depois de ter passado pelo triplo Fogo (o Breve/Carneiro, o Constante/Leão e o Boreal/Sagitário), pelo triplo Ar (o Racional/Gémeos, o Equilibrado/Balança e o Intuitivo/Aquário), a tripla Terra (a Primaveril/Touro, a Crítica/Virgem e a Fria/Capricórnio) e por dois tipos de Água dissemelhantes (a Uterina/Caranguejo e a Pantanosa/Escorpião), essa criatura chega a mim e mergulha na última Água (Dissolvente), a do sonho e da compaixão, do sacrifício e do perdão, da inspiração e do Amor Maior. Deverá então largar o lastro da discriminação, tudo integrar e amar a Totalidade. Mas como no reverso da minha medalha se inscrevem as atitudes evasivas, a ilusão, a irresponsabilidade e a apetência por paraísos artificiais, é bem provável que esse ciclo individual se venha a fechar de forma inconveniente. Assim, é imperioso recomeçar. Impõe-se abandonar o invólucro material, partir para outras paragens e aguardar por nova encarnação. As passagens acumular-se-ão até conclusão satisfatória. Então, já nada haverá para fazer na Terra. Para as entidades que chegam, por cá evoluem e partem para de novo regressar, eu sou o décimo segundo que perdoa e dissolve.



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