Cenas do Amor Desalmado

Poemas do estrogénio impedido e da testosterona amontoada

Rimas vadias

 


Não fui ter contigo a Mira
porque parti a cabeça.
Que o meu tesão por ti peça,
a mim já não m’admira.
Será que prà semana, Alvarez,
chegará a minha vez?
Oxalá a ti também t’apeteça.

Lágrimas caíram no chão
saídas de meus olhos perdidos.
Por que, Maria, não vieste
quanto eu tanto te queria?
Ah! Que farei desta solidão?
Não há mulher que preste,
estando fora do caixão.
Peste!

Largo o jornal e grito para a cozinha:

Amooooor, põe-te a jeito!
Já pus as algemas na caminha

pra me fazeres o que tens feito.

Respondes com voz fininha:

Vais ter de falar c’a vizinha.
O meu pipi, hoje, tá com defeito.


Tenho vontade de morrer
de tantas saudades que tenho.
Fungo e assou o ranho
para não entristecer.
Para não desfalecer
lembrei-me de ti no banho
aos saltinhos e a gemer.

Meu amor, estás a chorar?
Também eu ’tou a pingar
que nem um chafariz.
Já pedi a Deus e a Jupitér,
mas não há meio de passar.
Já não sei o que fazer
ao cieiro do meu nariz.
Não consigo espairecer
porque te amo bué, ó Luís.

 

Embriagar-me c’o teu cheiro
era o qu’eu mais queria.
Mas tu, meu sacana, partiste.
Por que fugiste pr’Àveiro?
E eu, que já ontem sofria,
hoje, sinto-me muita triste.
Inda por cima tá nevoeiro.
Estou feita num caco
a enfardar aletria!

 

Já me esqueci, ó Paulinho,
da tua cara corada
quando bebemos um fininho
na nossa esplanada.
Mas quando a Ivone chamaste
apeteceu-me dar-te porrada.
Esquece o meu telefone!
Ouvistes, meu traste!