Cenas do Amor Desalmado

Poemas do estrogénio impedido e da testosterona amontoada

– Coleção Masturbanário –

 

Meu adorado Manuel.
Não estejas triste meu bichinho.
Eu parti mas afinal tou perto,
embora me sinta um naco de toucinho
a grelhar no sol deste deserto.
Meu coração continua aberto
mas não pára de chorar baixinho.
Tou aqui de serviço no quartel,
a escrever na cama, cheia de pica
com saudades do teu manelinho.
Adeus e um beijinho.

Não fui ter contigo a Mira
porque parti a cabeça.
Que o meu tesão por ti peça,
a mim já não m’admira
Será que prà semana, Alvarez,
chegará a minha vez?
Oxalá a ti também t’apeteça.

Lágrimas caíram no chão
saídas de meus olhos perdidos.
Por que, Maria, não vieste

quanto eu tanto te queria?

Ah! Que farei desta solidão?

Não há mulher que preste,

estando fora do caixão.

Peste!



Largo o jornal e grito prà cozinha:
Amooooor, põe-te a jeito!
Já pus as algemas na caminha

pra me fazeres o que tens feito.
Respondes com voz fininha:
Vais ter que falar c’a vizinha.
O meu pipi, hoje, tá com defeito.


Tenho vontade de morrer
de tantas saudades que tenho.

Fungo e assou o ranho

para não entristecer.

Para não desfalecer

lembrei-me de ti no banho

aos saltinhos e a gemer.